Infância na locadora #1 – AKIRA VHS

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Absorvi grande parte do conteúdo pop cultural, oferecido nos anos 90, claro que por cada década há suas porcarias, mas algo que mais sinto falto é da locadora, tentarei exemplificar o poder que você tem em suas mãos hoje. Quando a internet ainda estava engatinhando, havia muitas e muitas locadoras de fita VHS (video home system) essa “fita” você a introduzia no aparelho chamado vídeo cassete, a questão é que na locadora você alugava um filme e no outro dia devolvia, não era barato, era difícil levar mais que 2 duas fitas para casa no mesmo dia, meu poder de escolha era entre uma a duas opções… hoje ligamos a nossa smart tv com netflix com um catalogo hiper imenso, há uma probabilidade grande que não veja nem 15% de tudo até minha morte..

A tecnologia avançou  espantosamente,  mas ela não traz a essa vivência de tempos em que o pouco se tornava tão prazeroso ao invés de que o muito hoje se torna comodo. 

Quando criança, minha mãe tinha comprado um vídeo cassete, logo no mesmo dia corri para a locadora afim de fazer minha inscrição, assim, começa um novo mundo de diversão na frente da tv .Não lembro com clareza qual foi a primeiro filme que aluguei, mas lembro que uma das primeiras ida a locadora, levei AKIRA “animação japonesa” criado por Katsuhiro Otomo.

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NÃO PISCAVA

Os desenhos que passava na tv aberta muitas pessoas já devem ter ouvido falar, capitão planeta, caverna do dragão, cavalo de fogo, não tinha qualquer contato com as obras orientais, o que me passava na cabeça, quando comecei a assistir Akira, era de não compreender como tudo passava na tela tão suave, aquela movimentação dos personagens era algo surreal, não piscava, não comia o pedaço de bolo de cenoura com chocolate, nem o pão de queijo assado na hora com suco de caju, nada me fazia parar, nada mais me surpreendia quanto aquela animação na minha frente.

Toda aquela tonalidade de cores, animação impecável me davam um sentimento totalmente novo, sensorial, abstrato, quando a moto de Kaneda passava pelo arranha céu de neo tokyo e deixava aquele rastro neon do farol, me arrepiava, houve uma reação química no meu corpo, de ficar arrepiado observando toda a grandeza sútil em movimento.

ASSIM CONHECI A VIOLÊNCIA E O MUNDO CYBER-PUNK

Katsuhiro Otomo moldou minha concepção de violência  nos anos 90, jogava street fighter, street of rage no meu querido mega-drive, alguns filmes de ninja, mas nada comparado ao impacto, frio, cru e áspero de Akira, sejamos franco, a violência sempre fez parte da cultura de entretenimento, talvez a imersão que a animação tenha me dado, possa ter inferido nessa concepção de hoje, muito do que é retrato, tem haver com a nossa sociedade, seja ela ocidental/oriental  há um tom cruel de realidade que compreendi na obra que não vi em outros filmes com atores de carne e osso na época, talvez a herança deixada pela bomba atômica e o Japão pós segunda guerra mundial, tenham feito uma sociedade de cicatrizes amargas,  ou talvez seja viagem da minha cabeça, vai saber…

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Para quem não está familiarizado com o termo CYBER PUNK é um subgênero literário da ficção científica, a maioria das histórias que se concentram nesse tipo de produção literária dão destaque em uma alta tecnologia avançada, com um baixo nível de vida social, (HIGH TECH/LOW LIFE) Akira caracteriza bem essa concepção, uma vez que a história se passa depois da terceira guerra mundial, o nome Akira vem de uma criança com poderes psíquicos, a guerra supostamente teria começado por causa deste jovem. O filme vai além e abordar temas  do nosso cotidiano, desigualdade social, consumo e alienação da tecnologia, educação mal desenvolvida.

Se pararmos para pensar, a animação parece que se torna cada dia mais atual, por que temos todos esses problemas em nossa sociedade, a questão da tecnologia  e uma vida de baixa qualidade, hoje andam juntas, nos vemos e percebemos isso no nosso dia dia, as vezes me pego em alguma reflexão e penso se um dia o mundo que conhecemos possa ser totalmente alterado pela tecnologia de uma forma nada saudável.

Espero que essa ficção não se torne a  nossa realidade daqui a algumas décadas, mesmo que o nosso futuro seja incerto, continuo com o pensamento positivo, cultivando esse gênero que tanto amo. 

 

 

 

 

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